Dia Nacional do Ouvidor


Há alguns anos no final de uma aula no curso de capacitação de ouvidores, uma simpática aluna levantou a mão e gentilmente perguntou-me: como uma fonoaudióloga virou Ouvidora? Explicou que sua filha era fonoaudióloga manifestando surpresa na aproximação das áreas etc. Em verdade, a expressão que roubou minha atenção foi “como virou Ouvidora?”. Aquela foi uma ótima oportunidade para refletir sobre algumas percepções acerca da formação dos Ouvidores, ou seja, o ouvidor não incorpora os protocolos da escuta qualificada com o extenso universo de atividades e atribuições normativas. Ser ouvidor representa “construir-se ouvidor” somando conhecimentos, experiências, habilidades e vivências que alicerceiam e fundamentam as práticas especializadas da ouvidoria, a exemplo, a arte da escuta. A escuta do ouvidor é uma competência empática enquanto capacidade intuitiva que temos de partilhar e compreender o outro, sendo uma forma de comunicação não verbal de intersubjetividade. Uma faculdade profundamente humana de entrar em ressonância com o outro, perceber as suas expectativas invisíveis, escutar as suas necessidades inaudíveis, captar os seus apelos sigilosos e silenciosos. O ouvidor constrói sua jornada profissional cercado de oportunidades e desafios, interage com gestores sensíveis e experientes, lideranças capacitadas e organizações com culturas orgânicas efetivando as ações recomendadas, mas também enfrenta muitos desafios como na implantação e reestruturação da área, dribla o dinamismo das adequações das bases legais, bem como o chamado efeito “restart” quando da substituição de gestores, os desafios nos ambientes de baixa parceria, entre outras realidades inerentes ao exercício da função. Contudo, o ouvidor constrói sua qualificação profissional, bem como institucional sendo o agente ético da organização atribuindo o sentido de uma Ouvidoria, e sua força geradora de transformações. Exige coragem, preparo e empréstimo da base de valores e princípios éticos, humanismo e visão de mundo mais justa e com grande empenho no fomento de uma cultura de participação do cidadão, de garantia de seus direitos humanos e do pleno exercício da democracia. É uma atuação profissional que cresce e nos engrandece, revelando a vocação de “ouvir o outro para olhar-se por dentro”. É tempo de celebrar o Ouvidor, e carinhosamente O Dia Nacional do Ouvidor, 16 de março, um bom momento para despertar reflexões e boas provocações no cenário nacional. Por fim, eu e minha aluna – como mencionei acima – terminamos a conversa bebendo um bom café, e hoje somos parceiras de trabalho.

Quando o assunto é parceria, elevo meu agradecimento aos ouvidores membros do FNOUH, um grupo que se apoia com troca de informações e boas práticas, ouvidores que sabem acolher os colegas iniciantes, e incentivar aprimoramentos e inovações. Elevo meu agradecimento aos ouvidores que oferecem oportunidades para relatar suas experiências e projetos exitosos! Parabéns, Ouvidores membros, gestores e apoiadores do FNOUH.


Um forte abraço com profunda admiração!

Luciana Bertachini Presidente do Fórum Nacional de Ouvidores Universitários e de Hospitais de Ensino FNOUH. Vice-presidente da Associação Brasileira de Ouvidores/Ombudsman – São Paulo.